A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL: COMEÇO, MEIO E FIM.

 






ANTECEDENTES

No final do século XIX, as nações europeias já tinham passado por duas revoluções industriais e tinham se desenvolvido bem, graças à exploração de colônias e trabalhadores. Durante esse período, ocorreu a junção entre o capitalismo financeiro e o industrial, que acabou beneficiando países já industrializados (Inglaterra, França, Bélgica, Itália e Alemanha). Esses países precisavam de recursos naturais, logo foram buscando outros lugares para colonizar, episódio conhecido como Neocolonialismo.

A competição por colônias, indústrias e destaque no cenário mundial era muito intensa entre esses países, o que fomentou a criação de alianças entre si. Em 1870, a Alemanha se uniu à Áustria-Hungria e à Itália, após ter ganho a Guerra Franco-Prussiana. Essa união ficou conhecida como Tríplice Aliança.

Afim de ter parceiros ideológicos e econômicos, foi criada outra aliança em 1907, que era formada por países contra os da Tríplice Aliança. Foi chamada de Tríplice Entente e formada por França, Inglaterra e Rússia. A tensão entre as duas alianças se tornou crescente, especificamente em algumas regiões, como a península balcânica. Nos Balcãs, cada bloco exercia um pouco de influência, já que a Sérvia era aliada à Rússia (Pan-eslavista) e a Bósnia-Herzegovina, território que iria para a Grande Sérvia num futuro próximo, foi dominada pela Áustria-Hungria. A Alemanha também tinha interesses na região.

O estopim foi a morte do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono da Áustria-Hungria, por um militante da organização terrorista Mão Negra, de viés nacionalista eslavo, da Sérvia. Foi morto em Sarajevo, capital da Bósnia. E assim começou a Primeira Guerra Mundial.


AS FASES DA PRIMEIRA GUERRA E SEUS CONFLITOS:


PRIMEIRA FASE (entre Agosto e Novembro de 1914):

A Áustria percebeu na morte de Francisco Ferdinando a oportunidade de atacar a Sérvia e demolir o projeto eslavo de construção de um forte estado. Sendo assim, Áustria-Hungria e Alemanha deram um ultimato à Sérvia para solucionar o caso do assassinato de Francisco Ferdinando. A Servia negou-se a ceder à pressão dos germânicos e, com o apoio da Rússia, sua aliada, declarou guerra contra a Áustria-Hungria, que foi formalizada em 28 de julho de 1914. Logo, a França ofereceu apoio à Rússia contra a Áustria-Hungria, o que fez a Alemanha declarar guerra contra a Rússia e a França.

A guerra se intensificou quando o exército alemão, que era o mais moderno da época, rumou em direção à França, passando pelo território belga, que era neutro (Plano Schlieffen). Isso fez com que a Inglaterra, aliada da Rússia, declarasse guerra à Alemanha.

 SEGUNDA FASE:

A segunda fase ficou conhecida como Guerra de Trincheiras e ocorreu entre 1915 e 1918. Durante esse período, o uso de novas armas, aperfeiçoadas pela indústria, aliado a novas invenções como o avião e os tanques, deu aos combates uma característica de impotência por parte dos soldados. Milhares de homens morreram instantaneamente em bombardeios ou envoltos em imensas nuvens de gás tóxico.

O ano de 1917 foi decisivo no contexto da “Grande Guerra”. Nesse ano, a Rússia se retirou da fronte de batalha, haja vista que seu exército estava obsoleto e sua economia arruinada. Foi neste ano também que os revolucionários bolcheviques fizeram sua revolução na Rússia, fato crucial para o desenvolvimento soviético nas décadas seguintes. Foi ainda em 1917 que os Estados Unidos entraram na guerra ao lado da Inglaterra e da França e contra a Alemanha, que já não tinha mais a mesma força do início da guerra. A Primeira Guerra também registrou combates aéreos e uma disputa acirrada entre alemães e britânicos no mar. Além disso, vale lembrar que houveram conflitos de destaque fora da Europa, como o Genocídio Armênio, que perdurou até 1923.

 


O FIM 

A Primeira Guerra chegou ao fim em 1918, com vitória da Tríplice Entente e grande derrota da Alemanha. Formou-se um governo provisório e foi proclamada a República de Weimar. No dia 11 de novembro de 1918, o novo governo assinou a rendição alemã.  Um ponto importante do fim da guerra são as determinações do Tratado de Versalhes. Nessas determinações, os países vencedores não aceitaram a orientação da Liga das Nações de não submeter à Alemanha derrotada a indenização pelos danos da guerra. Sendo assim, a Alemanha foi obrigada a ceder territórios e a reorganizar sua economia tendo em conta o futuro ressarcimento aos países vencedores da Primeira Guerra, sobretudo a França.

        A Alemanha perdeu suas colônias africanas e a República de Weimar foi obrigada a aceitar a independência da Áustria. Igualmente, teve que pagar uma indenização de 33 milhões de dólares pelos prejuízos causados pelo conflito.

O saldo de mortos durante os cinco anos da Primeira Guerra foi de um total de 8 milhões, dentre estes, 1.800.000 apenas de alemães. Esse tipo de mortandade acelerada e terrivelmente impactante tornou a se repetir a partir de 1939, com a Segunda Guerra Mundial.

Os termos foram considerados humilhantes e foram usados para provocar a queda da República de Weimar em 1933, e a posterior consolidação no poder de Adolf Hitler e do nazismo. Sendo assim, em 1939, pouco mais de 20 anos depois, provocaram a Segunda Guerra Mundial.

A Primeira Guerra Mundial redesenhou o mapa político da Europa e do Oriente Médio, marcou a queda do capitalismo liberal, motivou a criação da Liga das Nações, permitiu a ascensão econômica e política dos Estados Unidos e melhorou as tecnologias bélicas da época, já que, na Segunda Guerra, os aviões e outras armas tiveram grande importância (tecnologia da Primeira Guerra).

O fim da guerra também marcou a reconfiguração do mapa europeu por causa da caída dos Impérios Alemão, Austro-húngaro e Otomano. Diversas novas nações surgiram, como Polônia, Finlândia e Iugoslávia.

O imaginário da Primeira Guerra povoa os territórios de várias artes. No cinema, por exemplo, temos inúmeros filmes que a tematizam. Dois deles merecem destaque: “Corações do Mundo” (1918), de Griffith, produzido ainda “sob o calor da guerra” e “Glória Feita de Sangue” (1957), de Stanley Kubrick.